terça-feira, 31 de agosto de 2010

Era fim de agosto


... numa noite qualquer, estávamos ali sentados, eu sempre compreensiva e ele sempre atormentado com o mesmo problema. Ali do meu lado eu via um homem de 24 anos parecendo uma criança de 8 com medo de dormir no escuro. Encolhido, com suas mãos sobre as minhas, duas crianças compartilhando segredos. “Você não acha que eu sou louco, não é mesmo?” os fones de ouvido tocando aquela musica, minha mente ocupada demais pra prestar atenção nela. “Claro que não, você apenas tenta fazer as coisas do jeito certo, da tua maneira, mas procura sempre o certo...” um suspiro, de novo a concentração voltada ao toque das mãos, a luz do refletor que indicava o numero da poltrona do ônibus prendia o olhar, “Você gosta mesmo dos loucos, sinal de que é um pouco louca também” um riso, o silencio, a luz, a musica, as mãos, o homem, o menino, o pensamento & uma conclusão: loucura é definitivamente sinônimo de CARÊNCIA.

Lais Parnow 31/08/2010

5 comentários:

  1. O paradoxo e o contraste se revelam com palavras....

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  2. concordo. sou pouco carente e pouco louca. uma coisa leva realmente a outra. lindo textooo!

    Fê xD

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  3. Belas palavras Carlinhos.
    Fico mt feliz por voce ter se identificado com o texto Fernanda *-* Obrigada pelo elogio

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  4. é quem sabe eu esteja carente então asiuheui
    / juu

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  5. *--* todos somos meio loucos de carencia Juuh

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