sábado, 9 de outubro de 2010

...


São seus olhos e mãos
E seu abraço protetor
É o que vai me faltar

(50 receitas - Leoni)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mudança's


Um dia me falaram que quanto menos você esperar do outro melhor, por que ai tudo o que vier é lucro certo. Eu discordo, de certa forma nem tudo o que vem sempre vai ser bom, e você precisa sempre estar consciente e pronto pra lidar com isso. Muitas vezes você não espera absolutamente nada, e se depara com algo pior do que você consideraria se fosse esperar algo, e em troca ter um retorno inferior. E então você para, perde o chão, se pergunta o porque disso tudo, e não encontra solução nenhuma. Tem tantas coisas nessa vida que não tem explicação, e não sou eu , nem você, nem ninguém que vai solucionar isso. Mas eu te entendo quando você me fala que as vezes se sente perdido em meio às brincadeiras e às verdades. São pequenas mascaras que a gente usa pra confundir  mesmo, pra desviar um assunto, esconder um sentimento.... o segredo é saber quando esperar e como esperar, idealizar sonhos, é uma coisa, idealizar uma pessoa é outra, por que os sonhos você muda, adapta conforme a estrada anda, e a pessoa, bom, pessoas são sempre mutantes. Errado. Você não pode mudar uma pessoa, sem que ela queira essa mudança, e essa historia de mudar por que o outro quer, não existe. Você pode mudar contra a vontade, só pra agradar, mas essa é uma mudança que não dura muito tempo, e acaba sendo só mais um ponto negativo na espera do nada, por que a mudança veio quando menos se esperava. Mas acabou indo embora quando menos se esperava também. Eu sei que você não entende muito de tudo o que eu falo, mas são pequenas coisas que a gente vai aprendendo, e anota pra não esquecer, só pra ter na mente uma plaquinha à là melhor amigo escrita “EU AVISEI” ....


(Lais Parnow - 07/10/10)


Sabe, eu te disse que as coisas não seriam fáceis, elas nunca são. Você se lembra do quanto você me fala que as pessoas são más? “nunca espere muito de alguém”, “as pessoas não te devolvem metade do que você oferece”, “quando você mais precisa os bons nunca estão próximos”, “bons amigos são raros, amores perfeitos estão em extinção”(...) eu sempre soube que você tinha razão, mas eu tento não enxergar isso, ainda acredito em pessoas boas, famílias comuns, corações...e sim, é claro que eu entendo que príncipes encantados e mundo-dos-sonhos-perfeitos não existem, mas  ainda acredito nos sonhos. É eu sei, eu tinha abandonado eles, mas resolvi resgata-los (de novo), resolvi acreditar nas pessoas (mais uma vez), resolvi que quero SIM quebrar a cara (mais um milhão de vezes), por que a vida pra mim, é como a Mega Sena, você joga, joga, e com os mesmos números (ou não) um dia acaba ganhando. Pessoas pra mim tem sido assim, não sei qual é a combinação perfeita de números pra chegar ao premio, mas quando a combinação for sorteada, talvez eu encontre a pessoa que realmente sirva pra mim. Uma em alguns bilhões. Sei que você não gosta da minha idéia. “é arriscado demais”, mas sabe, se você nunca jogar, nunca arriscar, jamais vai chegar ao resultado final....


(Lais Parnow  - 06/10/10)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Lei de Vinícius de Moraes


- Os Homens legais são feios.
- Os Homens bonitos não são legais.
- Os Homens bonitos e legais são gays.
- Os Homens bonitos, legais e heteros estão casados.
- Os Homens bonitos, legais, heteros e solteiros são muito mais velhos e encalhados ou novo demais e imaturo.
- Os Homens bonitos, legais, heteros, solteiros e com idade legal são pobres, e querem seu dinheiro.
- Os Homens bonitos, legais, heteros, solteiros, com idade legal e com situação financeira estável são galinhas.
- Os Homens bonitos, legais, heteros, solteiros, com idade legal e com situação financeira estável, comportadinho, não te acha bom o suficiente para ele, ou seja metido.
- Os Homens bonitos, legais, heteros, solteiros, com idade legal, com situação financeira estável, comportadinho e humilde moram longe
- Os Homens bonitos, legais, heteros, solteiros, com idade legal, com situação financeira estável, comportadinho e humilde que moram perto estão em extincão.
AGORA...
QUEM NESSE MUNDO ENTENDE OS HOMENS?


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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Amor eterno..

Cuando entiendas que no hay tiempo te vas a dar cuenta que pasado, presente y futuro es todo lo mismo. A veces la solución a nuestros problemas está en el futuro. La esperanza, los sueños, los deseos, son soluciones en el futuro a nuestros problemas de hoy. Y otras veces, la solución está en el presente. Pero las ataduras del pasado o los temores del futuro son cadenas que nos tienen apresados. El tiempo es relativo. Podemos estar en el mismo momento pero en tiempos distintos. O podemos estar en distintos tiempos en el mismo momento. Pero las cosas verdaderas no tienen tiempo, como ese reloj, que los cuida. O como vos dijiste una vez,  el amor, cuando es verdadero, es eterno.

(Casi Angeles - Cielo . 2009)

sábado, 25 de setembro de 2010

O amor é


 ...uma coisa feia e terrível, praticada por todos. E um dia ele vai te pegar, e quando isso acontecer, ele vai pegar seu coração e vai deixá-lo sangrando no chão, e agora você me pergunta, o que eu ganho no final?

Nada além de algumas incríveis lembranças das quais você não consegue se livrar. Mas o amor não é de palavrinhas ridículas, o amor é de grandes atitudes. O amor é sobre aviões levando faixas sobre estádios. Propostas em telões. Palavras gigantes escritas no céu. O amor é ir mais além, mesmo que doa, deixando tudo para trás. Amor é encontrar uma coragem dentro de si mesmo que você nem sabia que tinha.

Talvez nem tudo deva durar para sempre. Certas coisas são como escrever no céu... Uma coisa muito bonita, mas que dura alguns instantes apenas, e depois... Depois você entende, não é? O amor, ele é realmente terrível!

(Trecho do filme ABC do Amor)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Eu preciso muito muito de você...



eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito muito de você.

(Caio F.)

sábado, 18 de setembro de 2010

...

Do you see how much I need you right now ?!
(Agora você entende o quanto eu preciso de você ?!)
When You're Gone - Avril Lavigne

Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
Estou tão tranqüilo
E tão contente...
Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém

(Quase Sem Querer - Legião Urbana)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Coisas que a vida ensina ...

....Amor não se implora, não se pede, não se espera, amor se vive ou não. Ciúmes é um sentimento inútil e não torna ninguém fiel a você. Animais são anjos disfarçados, vivem na terra para mostrar ao homem o que é fidelidade. Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz. As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você pro outros. Perdoar e esquecer nos torna mais jovens. Água é um santo remédio. O choro existe para o homem não explodir. Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso. Não existe comida ruim, existe comida mal temperada. A criatividade caminha junto com a falta de grana. Ser autêntico é a melhor e a única forma de agradar.



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domingo, 12 de setembro de 2010

Era um dia comum

...como outro qualquer de setembro, (minto! nenhum dia de setembro é igual ao outro) e eu sempre ali, naquela mesma rua, sempre na mesma direção. Tantas pessoas, cada uma com seus problemas, com suas historias, com suas preocupações...todo mundo sempre correndo, apressado, atrasado, preocupado. Então em um momento eu me vi estática em meio à tanto movimento, não compreendia porque aquelas pessoas corriam tanto, pra onde afinal estavam indo, atropelando uns aos outros? Não tinham rostos, de repente percebi que eram sombras, coloridas (sim, coloridas, como se fossem manchas de tinta), corriam apressadas, passando umas pelas outras, se chocando e foram esses choques que me chamaram a atenção. Quando as sombras coloridas se chocavam, era como se unissem e tornavam-se sombras escuras, e no fim daquela rua, via-se não a luz, mas uma linha de escuridão. Era para lá que iam com tanta pressa, mas afinal, porque coisas tão belas se preocupavam em correr para o escuro? Para o negro? Um relógio bateu seis horas, e todas as sobras/cores pararam e sumiram, sim simples assim, desapareceram, evaporaram, simplesmente não sei...e ali, no local onde via-se uma linha escura, avistei um ponto de luz, então entendi, que as sobras, se uniam para chegar ate a luz. Mas e porque ficavam escuras ao se misturarem? Porque a mancha negra ocultava a luz? A ciência não explica o contrario? “Toda vez que falta luz, o invisível nos salta aos olhos” meramente simples assim, Humberto Gessinger na musica Piano Bar, nos explica claramente a linha negra que oculta a luz “Toda vez que falta luz/Toda vez que algo nos falta (alguém que parte e não volta)/O invisível nos salta aos olhos/Um salto no escuro da piscina” então eu entendi, o desespero daquelas pessoas, as almas coloridas, se chocando em busca de ajuda, mendigando um pouco de atenção, agonizando pela falta de outrem, caindo na escuridão, em busca do invisível....


Laís Parnow 12/09/2010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Era madrugada,



estava escuro, não haviam estrelas, a noite estava sem luar, um vento gelado batia deixando a minha pele ainda mais fria. Ele estava ali, sentado, quieto, encolhido com a cabeça entre as pernas, simplesmente não queria conversar. Sentei ali, lembrando apenas de não esquecer de respirar, e fiquei fitando-o, esperando, respirando. Duas almas imóveis, com tanto pra falar, tão próximas e tão distantes ao mesmo tempo, o vento violento e gélido nos atingia sem cessar, mas mesmo assim, minhas mãos não estavam mais congeladas que o seu coração. Aquele coração que eu vinha acompanhando à tanto tempo, que já tinha estado tão próximo ao meu, aquele coração que batia pelos risos (ah! aquele riso...), pelas lágrimas (doces&salgadas), pelas confidencias, e por muitas, mas muitas histórias. Historias minhas, historias dele, historias nossas. Não me lembro quando aconteceu, nem o porque, mas tudo isso se perdeu um dia, em algum lugar, e o coração se fechou, o sorriso se apagou, as lagrimas secaram, as confidencias foram enterradas à 7 chaves junto com todas as historias. Quando alguma dessas historias tenta ressurgir eu volto lá, naquela rua, naquele mesmo cordão da avenida, e me sento, observo, sinto o vento que já não é mais tão gelado, e respiro. Respiro e espero, calmamente pelas palavras dele. Me perco na noite sem lua, sentando, observando, respirando, esperando.... 


Laís Parnow 06/09/2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sonhos. Todos os têm.



Alguns bons, outros ruins. Alguns tentam realizá-los, outros, tentam esquecê-los ou simplesmente fingem que eles não existem. Alguns de nós têm apenas pesadelos. Mas não importa o quanto você sonhe. De manhã, os sonhos são interrompidos, a realidade insiste em interrompê-los. 

(Gossip Girl)

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010


Toda vez que falta luz
Toda vez que algo nos falta (alguém que parte e não volta)
O invisível nos salta aos olhos
Um salto no escuro da piscina

O fogo ilumina muito, por muito pouco tempo
Por muito pouco tempo, em muito pouco tempo
O fogo apaga tudo, tudo um dia vira luz
Toda vez que falta luz, o invisível nos salta aos olhos

(Piano Bar - Engenheiros do Hawai)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Agosto terminou,


 ..o inverno acabou, a melancolia das manhãs cinzentas se foi... Setembro é o mês da primavera, dos novos amores, mês das flores. Na teoria tudo é muito simples, mas em nada muda o passar do tempo, a doce ironia das estações, se as lembranças não se foram junto com o mês de agosto. Você ainda permanece no sofá da minha casa, com o mesmo sorriso torto, cabelo bagunçado, e aqueles olhar inevitável. Teu perfume ainda permanece no meu moletom favorito, as conversas ainda circulam pela madrugada, o telefone ainda toca, os risos ainda ressoam por aqui, aquele cobertor, ainda esta ali, aquela musica ainda toca, e os teus poemas ainda estao espalhados pelas paredes do meu quarto...setembro, hora de colocar tudo nas caixas, guardar os cobertores, aposentar o moletom, colocar posteres nas paredes, comprar um CD novo, trocar o numero do telefone, a mobília da sala, e incluir no pacote de compras um novo coração, de preferência um mais esperto, desse que agem em sincronia com a mente e a razão, não digo um que ame menos, mas um desses que tem um bibe que apita quando a coisa começa a fugir do controle, talvez até um com Ctrl + Z, assim seria mais fácil, entrar setembro sem todas essas lembranças que só me fazem pensar em você (....)

Lais Parnow 01/09/2010

Apesar de (...)


... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.

(Clarice Lispector)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Era fim de agosto


... numa noite qualquer, estávamos ali sentados, eu sempre compreensiva e ele sempre atormentado com o mesmo problema. Ali do meu lado eu via um homem de 24 anos parecendo uma criança de 8 com medo de dormir no escuro. Encolhido, com suas mãos sobre as minhas, duas crianças compartilhando segredos. “Você não acha que eu sou louco, não é mesmo?” os fones de ouvido tocando aquela musica, minha mente ocupada demais pra prestar atenção nela. “Claro que não, você apenas tenta fazer as coisas do jeito certo, da tua maneira, mas procura sempre o certo...” um suspiro, de novo a concentração voltada ao toque das mãos, a luz do refletor que indicava o numero da poltrona do ônibus prendia o olhar, “Você gosta mesmo dos loucos, sinal de que é um pouco louca também” um riso, o silencio, a luz, a musica, as mãos, o homem, o menino, o pensamento & uma conclusão: loucura é definitivamente sinônimo de CARÊNCIA.

Lais Parnow 31/08/2010

O Baile



Toda máscara tem duas aberturas na área dos olhos, para que, mesmo quando privamos o mundo de ver nossa verdadeira face, consigamos, mesmo assim, enxergar. Com a idade, as pessoas vão, aos poucos descobrindo que é tão cômodo, é tão mais seguro esconder a fisionomia, que passam a achar que não vale mesmo a pena presentear o mundo com transparência.
No entanto, são justamente os olhos que desmentem as máscaras. Eles estão e estarão para sempre lá, descobertos. E eu, da mesma forma que você, mesmo vivendo num interminável baile de máscaras, já aprendi a olhar através da porcelana, a fitar os olhos tristes que estão logo acima do sorriso radiante.
No entanto, o que eu enxergava era tão bonito que me parecia apenas a mais bela máscara do baile, uma plástica distração que me transformaria em joguete, hipnotizado por aquela face que ostentava dolorosa beleza. Até hoje apalpo teu rosto procurando emendas, desníveis, vestígios de cola ou encaixes bem-feitos, sem sucesso algum. Me deixei ser levado por tamanho encanto, e sigo flutuando em simples nuances de voz, sussuros inesperados e intrincados escritos.
Abriu-se uma roda. Somos o par que dança alegremente entre os mascarados, sentindo na pele do rosto a brisa de lança-perfume que faz parar o tempo, devidamente despidos das máscaras.

(Beeshop)

Vai passar, tu sabes que vai passar.



Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe?O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como " estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloquentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não.Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência. Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia,sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços. Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome,a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada.(...)

(Caio F.)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

- Havia, naquele momento,


...mais de seis bilhões de pessoas no mundo. Mas era de uma única que ela sentia falta. Sentia falta do sorriso que encontrava por acaso no meio do caminho. Sentia falta do abraço protetor, do abraço carinhoso... Do abraço dançante que a embalava naquele colo. Ela sentia falta do brilho do olhar e das palavras sussurradas ao pé do ouvido. Sentia falta do conjunto, do riso, das canções, da parte que já não tinha. Ele. Ele. Dele (!). Já não sabia mais se a saudade era a palavra certa. Não sabia mais onde encontrar seu porto seguro. Saudade incômoda e dolorosamente aconchegante. Talvez, numa tentativa de salvar-se de sua própria sina, usasse esse sentimento como cura. Como cura de suas febres e aflições. Talvez fosse a única forma de transportar-se para o momento onde sentia que poderia ser ela mesma novamente. Talvez fosse a única forma que tinha de transformar-se naquilo que havia sido. Sentia que saudade não era aquele tormento que diziam. Era sua única saída para a vida que sonhava. Era o tempero de seus sonhos. Pensava assim e sorria. Sentia falta do par de olhos ao ver o pôr-do-sol e da mistura de braços daquele abraço que sempre era seguido do mais doce riso. Sentia falta da sua metade, do seu complemento. Sentia falta do amor. Sentia falta de amar.

(One Tree Hill)

"Se tudo o mais perecesse e enquanto ele perdurasse...





 ... eu ainda continuaria a existir, e se tudo o mais restasse e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria muito mais estranho"